quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O SABIO DANIEL

No ano segundo de Nabucodonozor,
rei de Babilônia – grande em poder – 
turbou-se-lhe o espírito; e o motivo: um sonho,
terrível, insistente, por que não dizer, enfadonho.
– “E o que fazer”? – aflito o rei indaga,
– “procurarei, de pronto, a corte maga;
talvez alguma coisa me façam saber”.
               
E disse-lhes o rei: – “Um sonho tive;
fazei-mo saber, dai-me a interpretação”.
E os caldeus: – “Ó rei, eternamente vive!
Assim e assim falaremos ao teu coração”.

Contudo, a 1embrança do sonho se apagara.
Sua mente turbada, o espírito aflito.
E o rei nada lhes pode contar,
senão: – “Foi-se-me o sonho”.
E com os magos trava-se o conflito,
para os sábios, de resultado tão funesto
e para os de Judá também, não fosse Daniel que, presto,
busca de Deus sabedoria e graça,
para evitar tão iminente desgraça.

E Deus responde; o sonho é interpretado.
E para o grande rei tudo é revelado.
E o Pai, por Daniel que se humilhara,
Buscando o Sábio dos sábios que, do céu,
Revela a mensagem, descobrindo o véu;
Ao rei aponta o que há de acontecer
E o faz de pronto a Daniel engrandecer.

E vós que, envolvidos em problemas,
dos mais simples aos mais obscuros dilemas,
não buscais de Deus a solução?
Por que não fazeis como Daniel
Que, buscando o Deus de Israel,
Derramou-lhe todo o coração?!

Estai confiantes, pois Deus responde,
E vossa fé, portanto, n'Ele ponde
E tereis vossas dúvidas sanadas.
Sede sábios como o sábio Daniel,
Que buscava a Deus, Senhor da Terra e Céu,
e vossas mentes serão iluminadas;
vossas almas salvas, vossa fé firmada
e vossas vidas todas por Deus abençoadas.

                                                        Wilson Carlos S. Lima

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O FIO MESSIÂNICO

Um fato relevante na lavratura do que conhecemos hoje como Escrituras Sagradas tem sido o motivo pelo qual elas foram escritas. Costumamo-nos com a idéia de que o pecado é que seria a razão da existência das Escrituras Sagradas, já que, sem ele, não haveria necessidade do plano redentor e, por conseguinte, nada saberíamos a respeito do que nunca houvera ocorrido e muito menos a respeito do Filho de Deus, que só viria ao mundo para executar o que a Bíblia chama de recriação, trazendo novos céus e nova terra.
Entretanto, como nos informa o apóstolo Paulo em 1 Cor. 13.12, é do plano de Deus a revelação do Seu Propósito a todos os homens, os quais foram por Ele criados com um propósito específico. Vale dizer que o centro desse propósito já era a pessoa do Seu Filho, quando ainda não havia a coisa criada, como expusemos em nosso Blog anteriormente (http://www.fugaderoma.blogspot.com/). A queda e suas conseqüências são a razão da necessidade do ‘tornar a congregar todas as coisas sob o comando de Cristo, a cabeça’. O verbo grego anakefalaiw,ssasqai nos assegura a respeito (Ef. 1.10).
No momento inicial da criação, o Senhor Jesus já tinha o seu lugar de destaque como Filho de Deus, único e, antes que houvesse qualquer elemento criado, Ele já tinha consciência plena de sua glória divina junto ao Pai (João 17.5). Os anjos, ao serem criados, já tinham a visão gloriosa do Filho de Deus e o serviam como nos infere Mateus em seu livro (4.11).
O próprio Lúcifer, no momento de sua traição, como está exposto em um dos midraxes a ele alusivo na literatura rabínica hebraica, teria se deixado levar por um sentimento de inveja e de falso poder, já que tinha sob seu comando parte das legiões de anjos e outras criaturas celestes. Levado por esse vil sentimento, Lúcifer tenta igualar-se a Deus, sendo fielmente combatido pelos anjos e arcanjos eleitos e, como já conhecemos, ele, agora, satanás, é expulso do Céu e cai na terra.
Essa investida poria em risco o Propósito de Deus e a figura hegemônica do Seu Filho, para o qual criara todas as coisas e a quem pusera como cabeça de toda a criação.
O Livro da Revelação, o Apocalipse, nos dá a compreender o ódio que satanás tem da pessoa de Cristo, a quem persegue desde os primórdios da criação até a vitória cabal do Filho de Deus sobre o maligno, tal e qual é descrito naquele livro.
Atento ao desenrolar do projeto divino na terra, onde o homem foi criado, satanás observa o relacionamento de Deus com o homem, o que lhe provoca mais ciúme e ódio, a ponto de engendrar um modo de conquistar ‘para sempre’ a raça humana e permanecer na terra dominando toda a vida nela criada. Não é sem conta que o apóstolo Paulo, escrevendo aos crentes de Roma, assim se expressa: “Pois sabemos que toda a criação geme e sofre com dores de parto até o presente dia. Não só ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nós mesmos, aguardando a adoção, a redenção do nosso corpo” (8.22-23).
Assim, ainda em plena atividade na terra, satanás engoda os nossos primeiros pais e traz a consequente queda. Podemos imaginá-lo esfregando as mãos, numa atitude de solução garantida contra os projetos de Deus; afinal, ele conseguiu pôr o homem contra Deus e fazê-lo duvidar da Sua Palavra.
Qual não foi a sua surpresa quando ouve da boca de Deus a promessa de que da semente da mulher, pivô da queda da raça humana, sairia aquele que esmagaria a sua cabeça, pondo fim ao seu pretenso principado na terra (Gal. 4.4.5).
Algo teria que ser feito, pois ainda havia esperança, pois ele conhecia as tendências do homem e sua inquietude face o estado em que agora este se encontrava. E, assim, ele espera a mulher dar à luz o seu primeiro filho, para voltar a agir com suas estratégias.
Caim, o primogênito de Adão e Eva, oferece campo para o inimigo e, assim, acaba sendo por ele usado para pôr fim à vida do seu irmão, Abel. Tendo, com uma só cajadada, matado dois coelhos, satanás novamente se ufana e pensa em descansar e usufruir para sempre do reino usurpado.
Entretanto, mais tarde, nasce Sete, que, com o nascimento de seu filho Enos, restabelece o culto ao Altíssimo, despertando mais o ódio e a inveja do maligno. É da prole de Sete que surge Enoque, a quem o Senhor toma para si, tornando-o o primeiro profeta humano, já que o Senhor chamara para si este grande privilégio de ser o primeiro profeta da história da terra, quando prenuncia o nascimento do Messias (Gên 3.15).
Tenho para mim, após algumas pesquisas nos alfarrábios rabínicos e em comentários a respeito da Epístola de Judas, que Enoque foi destacado por Deus para anunciar o juízo sobre a raça humana o qual viria mais tarde com o dilúvio, como infere Pedro em sua segunda carta (2 Ped. 3.5-6). O Livro dos Jubileus diz claramente que Enoque é o Escrivão que registra os juízos de Deus bem como o modo como ele é executado (Jubileus 4.23-27).
O tempo passa e surge Abraão, a quem o Senhor incumbe de ser o progenitor de uma raça eleita e santa a qual, como nação sacerdotal, manteria o mundo em estado de suspensão, até a vinda daquele que seria o Messias por Ele prometido.
A literatura rabínica fala de um momento na vida de Abraão, em que ele é posto à prova, à semelhança de Jó, por instigação do maligno. Fala-se de um diálogo entre o Eterno e satanás nas mesmas circunstâncias constantes da narrativa de Jó. A coisa retirada de Abraão seria o seu único filho, com cuja morte ele perderia a fé e blasfemaria contra o Altíssimo. O Eterno teria feito mais que isso, pondo sobre o os ombros do próprio Abraão a execução de Isaque, para fazer calar o inimigo.
Concentrado agora em Isaque, satanás percebe a admiração que ele tem pelo seu filho primogênito Esaú. Aproveitando-se de um momento de fraqueza deste, leva-o a desprezar a primogenitura e a trocá-la por um pouco de comida. O inimigo percebe que o homem é capaz de qualquer coisa por um pouco de comida. Mais tarde, ele vai usar desta mesma estratégia para tentar Jesus, enquanto homem e com fome (Mat. 4.2), mas é rechaçado por Jesus.
Ao ver Jacó trapacear o irmão e ludibriar a fé do próprio pai, satanás vê novamente a oportunidade de matar dois coelhos numa só cajadada. Agora daria certo, pensava ele. Mas Deus age e, agindo Ele, quem impedirá (Isa 43.13)? E assim o Senhor coloca dois grupamentos de anjos – Mahanaim – sendo um para agir caso Labão tentasse contra a vida de Jacó e o outro, no caso de Esaú tentar matar o irmão (Gên. 32.1-2). E Jacó escapa ileso.
Todavia, o inimigo agora se concentra nos filhos de Jacó. Ele procura uma brecha, e encontra, levando Rubem a perder a primogenitura. Mas satanás logo descobre que, para Deus, havia algo mais importante que a o direito da primogenitura: era o critério da escolha. E assim, ao ver a predileção que Jacó tinha por José, ele resolve investir no comportamento brutal de seus irmãos e o os leva a quase dar cabo de José. Mas o Senhor age mais uma vez e engrandece a José, no Egito.
Afastado Rubem, o primogênito, e Simeão e Levi, por praticarem a vingança sem o consentimento do pai, contra pessoas inocentes sob o pretexto de vingar o ultraje sobre Diná, sua irmã, que havia sido violentada por um incircunciso, satanás se volta para Judá, o bola da vez que não suportando a dor que o pai sofria pela perda do filho da sua velhice que fora vendido e julgava estar morto, afasta-se da presença do pai e dos irmãos e vai morar com os cananeus, casando-se, inclusive, com uma cananeia,  com quem teve três filhos, a saber: Er (Vigia), Onã (vão), e Er (dardo). Segundo a literatura rabínica, a mulher de Judá – Bat-Shua‘ – era serva de Belial e comprometida com o culto cananeu. É ela quem orienta a seu primogênito a não dar semente a Tamar, para não dar continuidade à família hebréia. Era o inimigo tentando cortar o fio messiânico. Morto Er pelo Senhor, Judá se vale do segundo filho para suscitar a herança de Tamar. Mas, sendo ele tão mau como o irmão, o Senhor também o mata, e Onã fica sem dar semente para continuar o fio messiânico. Selá, o filho mais moço, ainda criança, não podia ser dado a Tamar, e então Judá despede a nora para que volte a casa dos seus pais e lá fique até que Selá cresça.
Bat-Shua, mulher de Judá, sendo má, fazia tudo para impedir que Selá viesse a ser dado a Tamar como marido. E o Senhor também a aniquila. Mas, agindo Deus, quem impedirá? E o Senhor age, promovendo uma atividade de tosquia quando se festejava a bênção do rebanho na terra pelos cananeus e midianitas, e Judá se dirige para aquela localidade e tinha que passar pela região onde habitava Tamar. Assim que ela foi informada que seu sogro – Judá – iria passar por ali, ela se veste como uma prostituta e sai para a estrada e fica à espera de Judá. Ora, se o inimigo pode se valer de uma tendência humana para fazer o homem cair, o Senhor pode muito mais, valer-se de uma fraqueza humana para fazê-lo levantar-se e tomar o rumo do Seu Propósito. Assim acontece com Judá que teve um caso com a falsa prostituta – Tamar – e depois fica sabendo que ela, na verdade, cobrou dele a bênção da herança do fio messiânico.
E assim nasce Perez, pai de Esrom, avô de Arão, bisavô de Abinadabe que é pai de Naassom, avô de Salmom, bisavô de Boaz que é pai de Obede, avô de Jessé e bisavô de Davi.
A partir de Davi, o inimigo se concentra não só nele, mas também na linha dinástica, corrompendo o laço messiânico tanto quanto pode, a ponto de fazer o Senhor destruir Jerusalém e enviar o povo para o cativeiro.
Todavia, o que satanás não sabia, é que, como um servo ‘voluntário’ do Senhor, ele estava, na verdade, contribuindo para que, na plenitude dos tempos, Jesus viesse ao mundo trazendo salvação para tantos quantos assim desejam com contrição de coração e arrependimento de seus pecados.
Agindo Ele – o Deus Forte, Eterno e Soberano – não há quem possa impedir-lo.
Glória, pois a Ele, eternamente, Amém!

sábado, 27 de agosto de 2011

DOCE NOME

Jesus, Teu nome é belo,
mais doce do que o mel;
mais puro que o diamante,
mais sublime do que o Céu. 

Jesus, Teu nome é santo,
mais lindo que um pomar;
mais vivo que minh’alma,
mais forte do que o mar.

Jesus, Teu nome é grande,
mais nobre que o de um rei;
mais rico do que o ouro,
mais justo do que a Lei.

 Jesus, Teu nome é suave,
mais belo que um jardim;
mais meigo, amoroso;
tudo isso Tu és pr’a mim. 

Jesus, Teu nome é singular,
igual não há, posso afirmar;
É bem mais alto que o infinito,
maior que o Sol, maior que o mar.

                                                                 Wilson Carlos S. Lima

terça-feira, 16 de agosto de 2011

CRISTO – CENTRO DO PROPÓSITO DIVINO


“Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra.” (Ef 1.9-10) 

A Bíblia – Palavra de Deus por excelência – nos revela coisas que nossas mentes encontram certa dificuldade para entender, embora venhamos a compreendê-las pela corroboração do Espírito Santo de Deus.
Uma delas é a preexistência de Cristo.
A luz do Shemá, profissão de fé central do monoteísmo judaico, só há um Deus, e Sua glória – sabe-se muito bem – ‘Ele não dá a outrem’.
Por outro lado, Jesus – o Filho de Deus – recebe a denominação de Deus conosco e Pai da eternidade,[1] ainda nas Escrituras veterotestamentárias, o que era do conhecimento dos judeus. O autor da Carta aos Hebreus ainda nos informa que Deus fez o Universo pela instrumentalidade do Filho (1.2), afirmando uma coerência com o texto de Pv 8.22-23.
Outro fato que quase pode passar despercebido é a exatidão da imagem do Pai no Filho que é referida pelo autor da citada carta como sendo “a expressão exata do seu Ser (do Pai), o que coloca Jesus como sendo ‘Um com o Pai’, ou, como afirma João no seu prólogo, o Logos de Deus.
Ainda mais vertiginoso é o fato de ser Ele – Jesus – o fator único para reconstituição do Propósito de Deus, sendo Ele mesmo ainda o principal agente da Criação. Nesta última esconde-se o real propósito divino, qual seja, o de manter o Filho como cabeça de toda a criação tanto nos céus como na terra, ainda antes mesmo de haver o ex nihilo, propósito esse revelado em segunda instância, após sua vitória sobre a morte e sua ressurreição.
O texto de Ef 1.10 apresenta um termo grego interessante: anakefalaiw,ssasqai (recongregar = tornar a congregar), ou seja, tornar a colocar o Filho como cabeça de toda a criação restaurada, como é o propósito inicial e eterno no momento da Criação.
É importante, antes de tudo, para uma melhor compreensão do que seja eternidade, refletirmos no que seja ‘Pai da eternidade’, para podermos compreender a figura de Cristo como sendo a eterna Cabeça de tudo que veio a ser no princípio, e que jamais deixaria de ser, mesmo após a queda de nossos primeiros pais e do que foi a causa do grande dilúvio.
Não é extremamente necessário que tanto a queda como o Dilúvio estejam no Propósito de Deus, já que as atitudes do ser humano causadoras dessas duas tragédias já contavam de modo embrionário na faculdade do Livre-arbítrio outorgado por Ele para o homem no Seu Propósito inicial, antes da Criação.
Ora, sendo a pessoa de Cristo – o Filho – o fundamento de todos os conselhos de Deus, ela se confunde com a própria pessoa de Deus – o Pai – porquanto é do Pai o Logos encarnado, ou ainda a Sabedoria encarnada, como nos informa Paulo escrevendo aos Coríntios: “... pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” (1.24).
Portanto, estar em Cristo é estar no centro da Vontade Divina. É ser sábio porque está nele, Sabedoria de Deus. Por conseguinte, falar de Cristo é sábio, “porque o que ganha almas sábio é”.



[1] Isa 7.14 (Emanuel); 9.6 (Pai da eternidade).

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A TENTAÇÃO DE CRISTO


Tendo o Senhor Jesus assumido seu ministério entre os homens, tornou-se necessário que Ele fosse experimentado como tal. Assim, como fruto do ato da Graça do Pai, no Filho revelada, Ele, que veio na forma de homem, inicia sua carreira terrena, sendo levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo. Temos então o homem, santo e justo, filho de Deus, desfrutando os privilégios concedidos a qualquer homem, uma vez que Ele se encontrava agora nas mesmas condições do primeiro Adão, adentrando ao mundo, com a única diferença de que, conquanto Adão não conhecesse ainda o Bem e o Mal, Jesus, como homem, já possuía tal conhecimento, porque também era Deus.

Destarte, era necessário que Ele passasse pelas mesmas experiências vividas por Adão, no intróito de sua carreira terrena. O modus atuandi do agente do Mal deveria ser o mesmo que fizera Adão perder sua posição de rei da terra para satanás. Jesus deveria ser alvo do mesmo esquema que iludira Adão, fazendo-o pecar contra Deus. Havia, entretanto uma diferença na estratégia e consequente tática do diabo: Era Sua condição espiritual que estava em jogo, não Sua inocência, pois Ele conhecia o Bem e o Mal. Para o diabo este fato parecia uma vantagem, embora não o soubesse, pois, vivendo em plenas trevas, jamais poderia detectar os raios de luz que brilhavam através da pessoa eterna do filho de Deus.

Havia algo mais que diferenciava Jesus do primeiro Adão: Este, em pleno usufruto de sua inocência, participando de todas as bênçãos e de uma natureza em plena harmonia com o Criador e com ele mesmo, deveria pensar em Deus sempre, até mesmo no instante em que foi posto a prova pelo tentador. Jesus, ao contrário, veio num mundo conturbado, cheio de trevas, em meio a uma humanidade em estado de queda, enfrentado preconceitos ainda em sua infância, até mesmo pelos seus meio-irmãos. Aquele que ‘estava com o Pai’, que ‘era Deus’ no Pai, porquanto Filho, deveria não só pensar em Deus, mas ainda manter-se em plena obediência ao Pai, fazendo tão-somente a vontade do pai, ainda que sofrendo as circunstâncias e conseqüências, face ao mundo no qual e para o qual viera. Deveria Ele cumpri-la em meio às dificuldades, privações, solidão, aridez de desertos, locais onde, pela teologia judaica insipiente, os demônios viviam e atuavam, inclusive, o próprio príncipe dos demônios – satanás.

Viver nas trevas era especialidade de satanás. Ao tentar, pois, a Adão, mediante Eva, agora sua cúmplice, insinuou a este que, vivendo nas ‘trevas’ do conhecimento, ele não poderia conhecer o mundo ao seu redor, por isso deveria ‘abrir os olhos’ (Gên. 3.5). Aliás, esta tem sido a mais antiga arma empregada pelo diabo contra a humanidade – o conhecimento. Não é sem conta que o mundo mergulhou logo, logo, na pesquisa da música, dos remédios, na busca pela ‘vida futura’, ou seja, o gnosticismo.



Satanás sabia que ‘os olhos’ de Jesus já estavam ‘abertos’ para a realidade do mundo contemporâneo à sua vinda. A tática agora empregada seria outra. Jesus se encontrava em pleno Deserto - domínio de satanás, segundo a cosmologia judaica – e encontrava-se faminto, após quarenta dias de jejum e oração.

O inimigo fez uso de todas as suas faculdades espirituais, fruto de uma sabedoria maligna – aquela que inspirou o rei de Tiro (Ez. 28.3) – para induzir Jesus a fazer uso de Seus privilégios. A primeira investida foi justamente “se Tu és o Filho de Deus”, - aliás, bem lembrado. O que satanás esperava de Jesus era que Ele, para resolver o Seu problema e aliviar a Sua fome, desconsiderasse o mandamento que recebera do Pai, evitando, assim, os sofrimentos que poderiam advir durante o decurso da execução da vontade do Pai. Com isso o diabo O levaria a fazer a Sua vontade e não a do Pai.        

Jesus, então, desfrutando de uma plena relação com Deus, com os plenos favores de Seu Pai, porquanto Filho de Deus, e sendo a própria imagem espiritual de Deus e física do homem, se deixa ir ao deserto e ali permanece por quarenta dias e quarenta noites, para estar em conflito com o inimigo. Para manter esse relacionamento com o Pai, Ele nunca deixara de estar com os homens, pois, como diz a Escritura, “Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam...” (João 1.11). Todavia, segundo Mateus, Ele é separado de entre os homens pelo poder do Espírito Santo para estar só por um pouco de tempo, em conflito com o inimigo. Moisés, em plena condição humana, permaneceu este mesmo tempo com Deus, ao passo que Jesus ficou à disposição do inimigo.

Ali Jesus é tentado por satanás que Lhe faz a primeira proposta: Satisfazer Suas necessidades biológicas, saciando Sua fome, sem incomodar o Pai, de quem dependeria em todo o Seu ministério, enquanto homem. O inimigo esperava que Jesus agisse de acordo com Sua própria vontade e em Seu próprio benefício, já que tinha poder divino. Porém, assim como Israel – Povo de Deus no deserto – fora alimentado com o maná de Deus, aprendendo com isso que ‘nem só de pão vive o homem, mas, sim, de toda a palavra que sai da boca de Deus’, Jesus também, como Homem e judeu obediente, esperou pela Palavra, nada fazendo fora dela. Como Ele mesmo afirmou mais tarde, ‘Ele não veio para fazer a Sua vontade, mas a do Pai que O enviou’.  O verbo empregado pelo inimigo – dizer – faz parte do vocabulário de um ser que testemunhou os seus fenomenais efeitos ao ser mencionado nas Escrituras, inclusive pelo próprio Deus. Satanás sabia que isto poderia dar resultados, já que Jesus, sendo o Filho de Deus, tinha autoridade suficiente para realizar o ato proposto por ele e provar-lhe que realmente era o Filho de Deus.

Tal atitude, uma vez assumida por Jesus, poria fim na necessidade de continuar seu ministério, já que satanás teria se rendido, face o milagre realizado. Isso O pouparia da cruz, inclusive. Penso eu, cá nos meus botões, que se Ele assim procedesse, não perderia o amor do Pai nem a sua condição de Filho de Deus e nem seu status quo. Quem sofreria com isso seríamos nós, pois o plano da redenção teria fracassado e nós, com efeito, permaneceríamos como antes, eternamente perdidos. O inimigo não precisaria gastar mais a sua loquacidade. O que ele não esperava é que Jesus agisse como servo obediente, fazendo unicamente a vontade do Soberano Deus. Ele não pensou somente como Filho, mas como irmãos de muitos que estariam um dia com Ele no gozo do Senhor e, para tanto, necessitavam do cumprimento de toda a sua missão. (Oh, glória!)

Tendo falhado na primeira proposta, satanás Lhe faz outra: “lança-te daqui para baixo”. O local era o pináculo do Templo, logo, a proposta, agora, era para o Messias. O inimigo usa a Palavra: “... pois está escrito que aos seus anjos dará ordem a teu respeito para que te segurem com suas mãos, de modo que não tropeces em alguma pedra’ (v.6). A tentação a modo de proposta é mais séria ainda, pois, para realizar esse ato, Jesus precisaria ‘checar’ a validade da Palavra do Pai, para isso, tentando-O. Se na primeira investida, ele atacou o homem, agora, na segunda, ele ataca o Messias – Deus-Homem.

Na prática, Jesus estaria mais uma vez provando que, além de Filho de Deus, Ele também era o Messias prometido e que viera como tal, o que dispensaria a necessidade da cruz e dos infortúnios de um ministério, por mais curto que fosse. Novamente, Ele estaria bem com o Pai, mas incapaz de cumprir Seu ministério até o fim – Morte e Ressurreição – o que significaria a nossa perdição eterna.

Tendo percebido a intenção do diabo, Jesus o rechaça com o mandamento do próprio Pai: “Não tentarás ao Senhor teu Deus”. Essa palavra, para o inimigo, teve duplo efeito: Ele estaria levando Jesus a tentar o Pai, Seu Deus, como ainda estaria tentando ao Senhor Jesus, seu Deus e autor da Criação, inclusive do próprio Lúcifer, agora satanás.

Tendo falhado estas duas vezes, satanás apela de modo mais sério ainda: ‘Tudo isto te darei se, prostrado me adorares’. A mente insana daquele que possuía uma sabedoria maligna leva-o a cometer o mesmo erro do passado, como que numa recaída de sua própria síndrome: querer ser igual a Deus, passando por cima do Filho. A aceitação dessa proposta era digna de qualquer rei, já que teria sob seu comando todas as nações. Para Ele, o Messias – O futuro Rei de todas as nações – a proposta era válida, pois Ele se tornaria rei universal sem precisar sofrer tanto – cruz e morte – e reinar como era a proposta de Deus para o reinado messiânico.

Que lições podemos tirar do comportamento do Jesus Homem?

a)      Guardar a Palavra de Deus em nossos corações. Se Jesus não tivesse guardado a Palavra em Seu coração, certamente, sucumbiria na primeira proposta;

b)      Se entregarmos os mínimos detalhes de nossa vida aos cuidados daqueles que são nossos anjos e velam por nós – os pastores, deixaremos de entender qual seja a boa vontade de Deus para conosco. Passaremos a viver numa falsa dependência, perdendo o privilégio de ‘militar a boa milícia’.

c)      Devemos ter cuidado para não deixar que Satanás nos engode de tal maneira que façamos a sua vontade, julgando estar fazendo a vontade de Deus. Caso caiamos em sua armadilha, estaremos comprometidos com outros deuses que, na verdade, são filhos do Deus do presente século.



O interessante é que Jesus teve resposta para todas as propostas, após a retirada de satanás:

a)      “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (João 4.34);

b)      Os anjos vieram servi-lo.

c)      Ao entrar em Jerusalém, Jesus recebeu honras de Rei messiânico: “Hosana! ao filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor; Hosasa nas maiores alturas” (Mt 21.9) e “Bendito o reino que vem, o reino de Davi, nosso pai! Hosana nas maiores alturas!” (Mc 11.10).

sábado, 6 de agosto de 2011

MANHÃ RADIOSA

No céu, apenas uma estrela brilha.
É madrugada; e a Lua
na plenitude jaz do seu reflexo.
Contudo, ainda que mavioso o céu,
ao longe vêem-se, qual negro véu,
densas nuvens,
E o poeta fica a olhar perplexo. 

Quantas águas ali estarão?!
Talvez milhões de litros ou mais...
E as nuvens flutuam, levadas pelo vento.
A Lua não mais brilha então.
Agora o que se ouve é uma rude canção,
composta pelo ar em movimento. 

Não mais se deixa ver a estrela.
                        ...E o poeta, embevecido, fita
os olhos no céu, suspira e grita:
“Onde estás, ó Sol, que não te fito”? 

E espera, espera... até que surge,
Como um leão que se levanta e ruge,
– sem ouvir-se o som do seu rugido –
o Sol que, qual gigante adormecido,
desperta, em resposta ao poeta aflito.

                                   Wilson Carlos S. Lima

sábado, 30 de julho de 2011

PRESSUPOSTOS DE UMA FÉ VIVA E CONSISTENTE


Quando se faz qualquer abordagem sobre , relacionada direta ou indiretamente com Razão, Conhecimento ou Ciência, tem-se em mente uma consideração objetiva ou até mesmo subjetiva acerca da pessoa de Deus. Efetivamente, tudo o que se refere à fé e à razão visa, no seu fim principal, à pessoa de Deus e seu relacionamento não só com o ser humano como também com todas as coisas, quer materiais ou imateriais.
É nas Escrituras Sagradas que se encontra a mais rica conceituação de fé, a saber: “Ora, fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova segura das coisas que não se veem.” (Hebreus 11.1). Ora, do ponto de vista básico, a fé é uma certeza, quer seja ela natural ou sobrenatural. Sua fonte é o próprio Deus, sendo Jesus, o Logos de Deus, o autor e consumador dessa fé. Portanto, os que creem em Deus e creem em Jesus Cristo, o Logos de Deus, podem dispor dessa fé, já que ela é uma forma de energia legada por Deus aos que o buscam, e que foram por ele gerados mediante o Logos.
Não se pode esperar que a fé seja entendida simplesmente à luz de um empirismo científico, já que ela é o fundamento de toda a esperança daqueles que creem, sendo ainda a  garantia das coisas futuras que os olhos humanos não veem. O termo grego upostasis empregado no texto neotestamentário pelo autor da Epístola aos Hebreus dá a ideia de uma base infraestutural cuja essência é por ela garantida e afirmada ontologicamente.
Em geral, os teósofos procuram fazer distinção entre a fé e a manutenção de uma proposição provável, pelo fato de que esta última pode ser algo completamente teórico.  Todavia, segundo Emmet, “[...] é somente uma resposta volitiva que nos tira da atitude teórica.” Já segundo Thompson, “O traço distintivo de fé, em contraste com simples crença, é o elemento em si da vontade e da ação [...]. Fé não é simplesmente assentir que algo é verdadeiro; é a nossa prontidão em agir naquilo que cremos ser verdadeiro.” Pode-se observar por trás destas declarações traços de uma linha filosófica anterior a Tomás de Aquino, quando se via “fé como um ato do intelecto movido pela vontade.”
Efetivamente, ao se fazer uma abordagem sobre fé, encontra-se uma série de pensamentos teológicos, alguns dos quais, apesar de simples de mais para serem sustentados, não encontram refutação, em confronto com a razão ou com o conhecimento. Em Pascal, cientista e filósofo francês, por exemplo, encontra-se em uma de suas obras, intitulada Penseés, sob o Art. II, o seguinte argumento:

“Examinemos, pois, esse ponto, e digamos: Deus é, ou não é. Mas, para que lado penderemos? A razão nada pode determinar aí. Há um caos infinito que nos separa. Na extremidade dessa distância infinita, joga-se cara ou coroa. Que apostareis? Pela razão, não podeis fazer nem uma nem outra coisa; pela razão, não podeis defender nem uma nem outra coisa.”
 
À luz da proposta de Pascal, verifica-se que, “do ponto de vista de nossa capacidade cognitiva, o problema da existência divina deve ser colocado juntamente com a questão se a moeda cairá com a ‘cara ou coroa’ para cima.” Trata-se, pois, de uma questão que a inútil razão não poderá de forma alguma decidir. Na proposta de Pascal, a escolha de crer ou não crer é assemelhada a um jogo de sorte. Hick infere de Pascal: “No nosso cassino de jogadas cósmicas não podemos evitar apostar se Deus existe ou não existe.”
É certo que, do ponto de vista meramente metafísico, a fé não pode ser entendida e muito menos sentida por alguém. Na resposta dada por Jesus a Nicodemos, quando este o procura com evasivas, o Mestre, orientando-o, afirma: “[...]: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (João 3.3). Confuso acerca da expressão “nascer de novo,” Nicodemos ouve a explicação de Jesus que lhe declara:

“[...] Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.” (João 3.5-8).

A noção metafísica que o homem pode ter da declaração acima está justamente no fato de ser ela uma verdade racional, ou seja, uma verdade conhecida pelo Logos cuja certeza e evidência são por ele reconhecidas e que constituem a chave do conhecimento real, tal como este verdadeiramente é, e não como aparenta ser.
Para que Nicodemos conhecesse e experimentasse essa verdade, necessitava crer, tendo fé naquele que lhe transmitia tal verdade, partindo do princípio do conceito mais tarde exposto pelo autor da Epístola aos Hebreus (Hebreus 11.1). Esta foi a verdade descoberta pelo profeta Elias ao confrontar os profetas de Baal, quando teve certeza da resposta divina para incendiar o altar e queimar a oferenda que ali havia sido colocada, de modo a deixar evidente o poder de Deus como realmente é, e não como aparentava ser, em função da descrença dos infiéis pagãos e da dúvida dos judeus incrédulos (I Reis 18.20-39).
 A , portanto, pode ser entendida e praticada, não só como fé pragmática, mas também, como fé ministrada por alguém que se torne religioso. Os seguidores da divindade fenícia não tinham uma fé pragmática, fruto de uma ação repetida capaz de envolver os que a seguiam. Eram capazes de se lancetar e dar gritos, mas não eram capazes de ter fé suficiente para ver os resultados que estavam sendo propostos pelo profeta Elias. Eram religiosos que conheciam apenas a fé ministrada pelos seus sacerdotes. O mesmo não acontecia com os hebreus cuja fé era pragmática porque era fruto de uma realidade não só ministrada, mas evidenciada pelos fatos que a todo instante testemunhavam. Sua fé era sobrenatural e podia ser evidenciada a partir do momento em que surgisse uma proposta como a do profeta Elias.
   A Confiança que aquele profeta tinha de que Deus seria capaz de responder às suas orações e realizar de modo sobrenatural aquele feito por ele proposto diante dos dois lados antagônicos, era um ato de fé fiduciária[1], já que, para o profeta, o Senhor Deus era digno de confiança e tinha poder suficiente para realizar o que estava proposto diante do povo de Israel. Já a fé dos adoradores de Baal, divindade fenícia, era uma fé até certo ponto supersticiosa, embora tivesse uma implicação religiosa, uma vez que a manifestação da natureza contribuía para o culto àquela divindade. Se houvesse uma boa colheita, atribuíam-lhe esse fato e, assim, ofereciam-lhe culto e o adoravam; se houvesse perda da colheita, entendiam tal resultado como um castigo da divindade, por não tê-la adorado como deviam. Ao declararem guerra a outro povo, seus adoradores depositavam-lhe fé, mesmo sabendo que os outros povos também tinham seus respectivos deuses e possuíam fé neles. Os filisteus, inimigos dos hebreus, adoravam a Dagon, mas reconheciam a força do Deus de Israel e, diante da ameaça desse povo que os enfrentava, temeram, e seus líderes passaram a incentivar seus guerreiros, como registra o profeta Samuel:

“[...] quando souberam que a arca do Senhor havia chegado ao arraial, os filisteus se atemorizaram; e diziam: Os deuses vieram ao arraial. Diziam mais: Ai de nós! Porque nunca antes sucedeu tal coisa. Ai de nós! Quem nos livrará da mão desses deuses possantes? Estes são os deuses que feriram aos egípcios com toda a sorte de pragas no deserto. Esforçai-vos e portai-vos varonilmente, ó filisteus; para que porventura não venhais a ser escravos dos hebreus, como eles o foram vossos; portai-vos varonilmente e pelejai.” (I Sam 4.6-9).

A fé deveria ser acompanhada de um comportamento ético, moral e religioso, com prestação de culto e adoração ao Senhor Deus de Israel, o único Deus de fato em quem deveriam depositar sua confiança (fiducia) e crer em sua existência como Deus único e Criador de todo o Universo (fides). O Shemá,[2] tão conhecido dos hebreus, e que representava a profissão de fé central do monoteísmo judaico, fora esquecido algumas vezes, culminado com o péssimo estado moral, ético e religioso do povo hebreu. Esse comportamento negativo causava a ira do seu Deus, desagradando-o por completo, já que, para agradá-lo e viver bem com ele e usufruir dele e de suas bênçãos, é preciso ter os dois tipos de fé – fides e fiducia (Hebreus 11.6).[3]


[1] O modelo de fé fiduciária é parte da filosofia contemporânea americana onde se vê uma correspondência direta entre o que deposita fé e o fiel, em quem a fé é depositada. Esse modelo de fé é rejeitado por Paul Tillich que preferiu a este o modelo de fé ontológica.
[2] Shemá Israel (em hebraico שמע ישראל; "Ouça Israel") são as duas primeiras palavras da seção da Torá que constituem a profissão de fé central do monoteísmo judaico, encontradas em Deut. 6.4-9.
[3] “Fides” e “fiducia” são termos latinos incrementados na liturgia romana que significam respectivamente os dois tipos de fé: fé na existência de Deus e fé confiança.